Occupy, Miller e os Filmes de Ação
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O quadrinhista, roteirista e diretor Frank Miller, famoso por Batman, O Cavaleiro das Trevas, 300, Sin City, entre outros, veio a público recentemente condenar os movimentos Occupy.
Artigo publicado nesta quinta na The Guardian, de autoria de Rick Moody, registra que o choque dos fãs, surpresos com a fúria demonstrada pelo quadrinhista, não tem razão de ser: Miller estaria apenas verbalizando os inconfessáveis valores hollywoodianos.
O artigo sustenta que entretenimentos populares oriundos de Hollywood são, em maior ou menor extensão, propaganda. No filme “A Força em Alerta”, com Steven Seagal, por exemplo, um inimigo implacável seria posto em seu lugar, com a reimposição da ordem social norte-americana, através da violência e forte individualismo.
Os tipos de homens que historicamente têm protagonizado os filmes de ação, percebe Moody, são geralmente homens brancos politicamente conservadores, como Sylvester Stallone, Schwarzenegger, Bruce Willis, Mel Gibson, Chuck Norris e até mesmo Clint Eastwood, “todos orgulhosos defensores de uma agenda conservadora e/ou do vigilantismo”. A moral e idéias políticas nesses tipos de filmes seriam facilmente detectáveis.
Os filmes de grande orçamento que vieram depois, calcados no imaginário e muitos saídos das histórias em quadrinhos, como Batman, Homem Aranha, Homem de Ferro, Demolidor, entre outros, embora com um tom açucarado e por vezes desviando a atenção da marca ideológica, possuiriam uma estrutura moral tão simplista como os filmes de ação – se não, mais, apresentando um triunfo da ordem social tão violento e implacável quanto aqueles. As mensagem ali contidas poderiam ser assim traduzidas: “A economia global será restaurada”; “A América é excepcional”; “As pessoas simples merecem privação de seus direitos políticos”…
