Saramago Contra a Igreja

L"Sempre fui um ateu tranquilo, mas que agora estou mudando de ideia".

"Sempre fui um ateu tranquilo, mas agora estou mudando de idéia". (José Saramago)

Na semana passada, uma das personalidades mais procuradas nas redes de busca brasileiras foi o português José Saramago, cujo livro “Ensaio Sobre a Cegueira” chegou  no final do ano passado às telas brasileiras em adaptação cinematógrafica.

O que levou Saramago a ser objeto de tanta atenção não foram seus livros. Muito menos o filme de Fernando Meirelles. Mas algo bem diverso.

Um dos mais respeitados intelectuais contemporâneos e ateu confesso, Saramago acusou o papa Ratzinger de cinismo e declarou: “”As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder”.

Saramago não está sozinho. Ao longo das história, inúmeros pensadores têm se levantado com veemência contra igrejas e religiões.

Ludwig Feurbach disse que a religião promove um esvaziamento no homem e é anti-humana. Nietzsche afirmou a necessidade do homem romper com a religião para atingir o vigor da vida. Bertrand Russel identificou a religião como um sistema rígido que exclui o questionamento livre e preenche mentes com hostilidades fanáticas. Sigmund Freud entendeu a religiao como neurose coletiva. E aqui, não falaremos  o nome de quem disse que a religião é o ópio do povo. Afinal, como Saramago, todos já estão carecas de saber.

A Igreja é contra o uso de anticoncepcionais e preservativos. Prática condizente com sua intenção de dominar os corpos. E os prazeres. A interdição a estas práticas de saúde pública e controle de natalidade abrigam antigas concepções que negam prazer ao ato sexual ao restringi-lo a fins meramente reprodutivos. Práticas obtusas que condenam `a miséria física e espiritual. É que o sonho da igreja, já disse Saramago, “é nos transformar em eunucos”.

O medo sempre foi a mola propulsora da religião: medo da morte,  do diabo, da divindade, do inferno, da solidão.  Medo de uma existência sem pai. Mas o nosso tempo libera o escritor de outros medos.

Do medo de ser queimado – vivo, se estivéssemos na Idade Média.  Do medo de ter seus livros incluídos no Index Librorum Prohibitorum, a lista negra de livros proibidos pela igreja, se estivéssemos em algum lugar antes de 1966. Mas Saramago não tem medo. Aos 86 anos, é um velhinho incontrolável.

Hoje, para puni-lo, impossível a fogueira. Impossível o Index Librorum Prohibitorum. Impossível a excomunhão. A igreja, coitadinha, está de mãos atadas.

Nada mais lhe resta senão condená-lo a arder eternamente no fogo escaldante do inferno.  Tudo em que Saramago não  acredita.

Por Lindevania Martins.

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Em tempo:

Blog do José Saramago: http://caderno.josesaramago.org/


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3 Respostas para “Saramago Contra a Igreja

  1. Acredito que a religião deixa aqueles que a experiementam, totalmente inutilizados para si, para o mundo.Tudo é taxado, o que não tem explicação é obra do demo, não se pode ser curioso, não se pode questionar. É tudo tão hipócrita. Como podem condenar o gozo do corpo e da alma?!Como podem condenar a liberdade de escolhermos nossos prazeres?!Nem os frígidos sexuais e inteluctuais são conformados com a inexistências de sensações. Amém ao gozo!!!

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  2. Prezadas, convenhamos… as religiões são muito mais do que proibições, até mesmo a Igreja Católica tão massacrada e reduzida no texto acima têm muitas contribuições positivas… ainda que se ressalte a Inquisição, posições retrógadas e sede de poder. Entretanto há o que se aprender com o Cristianismo e a história da Igreja (e também de outras religiões) e não é medo, dominação de corpos ou esvaziamento. Por fim, há uma clara percepção dos males de grupos onde a há predominância religiosa e para estes nós, como pessoas que tivemos acesso a alguma informação, quase nos enojamos pois pensamos em quanto eles são retrógados… porém vendo do outro lado para os grupos “esclarecidos” não grassam grandes males entre eles também? E se há esses males porque igualmente não nos escandalizamos ? Na verdade já temos nossa conceito formado e nele a(s) Igreja(s) não é boa, acusamos, julgamos e as encarceramos. Deixamos Nietzsche, Saramago, Feurbach e outros como seus torturadores. Esse “preso” mais reforça sua sentença quando aqui e acolá esquizofrenicamente fala ou age por Bento XVI, apóstolo Hernandez, Edir Macedo entre outros. Eles são dignos mesmo da pena imputada ? Nós somos juizes suficientemente capazes ?

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  3. Resposta a R. Vale

    Não, não somos juizes suficientemente capazes, haja vista que não temos poder e dinheiro a altura! Diante deles somos reles mortais acreditando ingênuamente que nossa opinião possa mudar os rumos de algo que estamos longe de compreender totalmente os objetivos. Mas não se engane, a inquisição ainda existe, apenas as formas de tortura e execução é que estão mais modernas e psicológicas. Estão mais bem informados e cada vez mais perigosos. Pois eles sabem que um mundo consumista e gradativamente mais idiota, fica cada vez mais fácil de dominar. Não se enganem com acusaçõss mútuas entre Globo e Record, falando de pastores corruptos e padres pedófilos. Não é uma briga religiosa. É uma luta pelo poder!

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