Dia dos Mortos

Lindevania Martins

“La Catrina” é o esqueleto de uma dama da alta sociedade, umas das mais populares figuras das celebrações do Dia dos Mortos, personagem do folclore mexicano, popularizado por Jose Guadalupe Posada. Imagem: Wikipedia.

Esqueleto de uma mulher da alta sociedade, “La Catrina” é uma das mais populares figuras das celebrações do Dia dos Mortos no México. Imagem: Wikipedia.

Oriunda das tradições indígenas e declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO,  a comemoração do dia dos mortos no México  é  bem diferente da que ocorre no Brasil.

Desconhecendo  as noções de pecado, paraíso e inferno relacionadas à morte entre os cristãos, os indígenas mexicanos acreditavam que era o tipo de morte que determinava o caminho que o recém-falecido deveria seguir. Se falecido na água, deveria ir para o Paraíso da Água, e seria enterrado, para germinar. Se falecido em guerra, deveria ir para o Paraíso do Sol, a quem acompanharia por quatro anos, findos os quais voltaria à vida como pássaro. Quem falecia de morte natural iria para o Mictlan. Se criança o morto, iria para um lugar especial no qual seria alimentado pelo leite de uma árvore ,  voltando á vida quando toda sua raça fosse destruída[1].

Inicialmente, as celebrações iniciais do Dias dos Mortos incluíam sacrifícios humanos e grandes banquetes.

Quando os colonizadores espanhóis chegaram ao México, assustados com o ritual do Dias do Mortos , introduziram elementos cristãos e fizeram com que o mesmo coincidisse com a celebração católica, que foi obrigatoriamente instituída pelos papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) e incorporado no século XI no calendário litúrgico cristão como Dia de Finados, a recair no dia 2 de novembro.

Enquanto por aqui o dia de finados é um dia de luto; lá é um dia de festa, com direito a comidas especiais, muita música e bebida.

Enquanto por aqui todos superlotam os cemitérios, mas esperam que seus mortos fiquem guardadinhos nas tumbas onde se encontram; os mexicanos acreditam que no dia de finados os mortos regressam para visitar suas famílias. Eis a razão da festa. Eis a razão da comida e da tequila.


Na animação “A Noiva Cadáver”, de Tim Burton, um jovem se casa com uma noiva que já havia passado desta para melhor e inicia um romance insólito. No livro “Pedro Páramo”, do escritor mexicano Juan Rulfo, mortos e vivos coexistem de tal maneira que nunca se sabe se quem está falando o faz daqui ou da “Terra dos Pés Juntos”.

Imitando a arte, espera-se que mortos e vivos rompam as barreiras que os limitam aos seus respectivos mundos e se confraternizem. Assim, se você estiver no México no próximo 2 de novembro, não se assuste se um morto o convidar para dançar.

Ah! E seja educado. Não recuse um gentil convite. Aproveite o baile!

Referências:


[1] WIKIPEDIA. Disponível na internet: http://21gramas.pt/Uploads/02431018200713.pdf. Consultado aos  01.11.09.

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