Anonymous: Operação PayBack.

Membros do Anonymous aparecem em público usando máscaras de Guy Fawks, personagem de HQ e do filme "V de Vendetta"

Como todos sabem, o WikiLeaks divulgou vários telegramas  diplomáticos confidencias norte- americanos. Desde então, sua página na internet foi alvo de ataques sistemáticos. Foi expulso dos servidores da companhia americana Amazon, que hospedava seu site. As empresas  através das  quais eram depositadas doações para o WikiLeaks, como Visa, Credicard e PayPal- todas norte-americanas, se recusaram a recebê-las. Até mesmo um mandado de prisão internacional por suposto crime sexual contra seu fundador, Julian Assange,  foi emitido.

Um grupo de ciberativistas chamado Anonymous, que afirma lutar por ética e liberdade de expressão na internet, organizou uma retaliação: “Operação Payback”. Usando redes sociais como Facebook, Twitter e  chats como IRC, comandou ataques contra os sites das empresas que estariam boicotando o Wikileaks, conseguindo retirar algumas delas do ar.

Em ações posteriores, deu apoio ao movimentos de protestos políticos na Tunísia, Iêmen e Egito, cujos governos censuraram ou bloquearam a internet a fim de impedir a mobilização dos participantes nos protestos ou divulgação dos mesmos.  Anonymous ganhou as manchetes da mídia  internacional e  aumentou o número de inimigos.

Mas o presente artigo pretende contar outra história. Sobre como Aaron Barr se envolveu com o Anonymous e se tornou piada internacional.

Nos Estados Unidos, Aaron Barr, CEO da HBGary Federal, uma empresa americana que trabalha com segurança na internet, se infiltrou em canais do IRC, assim como no Facebook, usando identidades falsas, a fim de identificar membros do  coletivo Anonymous e reunir informações sobre eles.  Aliás, um dos nomes usados por Aaron no Facebook foi  Julian Goodspeak.

Passou o mês de janeiro inteiro revolvendo a internet para tentar conseguir os tais dados. A intenção era atrair atenção da imprensa sobre si mesmo e sua empresa, se aproveitando  da recente notoriedade internacional do grupo, para catapultar seus negócios. Como adicional, tencionava ganhar alguns milhares de dólares  ao vender a informação ao FBI.

Um de seus subordinados, encarregado de coletar as informações  sobre o Anonymous,  numa troca de e-mails com Aaron Barr, observou que elas não eram confiáveis e que não deveriam valer muita coisa.  Afinal,  os supostos membros do Anonymous não utilizavam dados pessoais e eles estavam fazendo deduções. Mas o chefe, arrogantemente, disse a ele que deveria apenas se preocupar em programar tão bem quanto ele, Aaron, analisava informações.

Barr bolou um plano até interessante, mas com um enredo meio repetitivo para os padrões hollywoodianos: planejava simular uma discussão entre ele mesmo, na sua versão fake,  e ele  mesmo,  na sua versão real, conforme detalhado em e-mail. Com isso, seu fake ganharia mais credibilidade junto ao Anonymous e ele atrairia uma expressiva  mídia para uma palestra que daria num evento sobre segurança na internet.

E como se sabe de tudo isso?  Porque Aaron Barr  se precipitou.

Aaron Barr, analista de segurança na internet

Como um Big Brother, louco pelos holofotes,  e confiante em seu sucesso, saiu espalhando por aí que o Anonymous possuía uma hierarquia bem definida e que ele tinha a lista dos cabeças do grupo. Logo surgiu uma matéria sobre o assunto no Financial Times. E isso foi poucos  dias antes do encontro que marcara com o FBI.

O resultado é que seu plano desmoronou.

Anonymous descobriu o plano e iniciou a contra-ofensiva.  Operação Payback 2? Tomou sua conta no Twitter e divulgou suas informações pessoais. O site de sua empresa, a HBGary Federal, cujo site anuncia possuir as melhores ferramentas em ciberdefesa, também foi hackeado. Teve acesso a mais de 40.000 e-mais  de Aaron Bar, da empresa de segurança e clientes, deixando todo essa material disponível na internet a qualquer um. Por isso as informações já repassadas chegaram a público: a conversa com o funcionário, a simulação da discussão, a intenção de alavancar seus negócios, atrair a imprensa, vender as informações, etc.

Veio a público inclusive que o Bank of America, que se sentia ameçado pela possibilidade do Wikileaks divulgar documentos apontado corrupção e fraude na sua organização, havia contratado sua empresa e mais duas – a Palantir Technologies e a Berico Technologies,  para iniciarem uma ofensiva pública de desmoralização  do Wikileaks e seus apoiadores, sendo que a estratégia para tais ações incluía plantar notícias e documentos falsos na mídia.

A situação foi tão grave que a presidente da HBGary Federal, empresa na qual Aaron trabalhava, teve que ao ir às salas de chat do Anonymous parar pedir que eles parassem com os ataques. Obviamente, isso acabou com a reputação de Aaron Barr e da HBGary Federal, que estava aberta para venda. Clientes debandaram e Aaron só não perdeu o emprego ainda porque é um dos acionistas. Aliás, quanto será que a empresa vale agora?

E o que aconteceu com a lista de líderes que Barr pretendia vender? Coerente com sua autodefinição de anarquista, portanto, sem hierarquia, o Anonymous proclama não possuir líderes. Ridicularizou a relação feita por ele, declarando que com ela Barr apenas iria incriminar inocentes. Assim,  entregou de graça o que seria vendido.

E o  analista de … insegurança … virou piada na internet.


 

Leia mais sobre o assunto:

How one man tracked down Anonymous – and paid a heavy price

Anonymous concedes defeat

Firm targeting WikiKeaks cut ties with HBGary

 

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Uma resposta para “Anonymous: Operação PayBack.

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