No Zimbabwe, ecos do Egito

Munyaradzi Gwisai, ao centro.

Talvez você nunca tenha ouvido falar de Munyaradzi Gwisai. Ele tem sido manchete nos ultimos dias. Mas comecemos por seu país.

O Zimbabwe é um pequeno país do sul da África, cuja independência do Reino Unido – que  ocupava a região desde o final do século XIX, só foi reconhecida em 1980.  Com a maior inflação e o maior nível de desemprego do planeta, além de uma expectativa de vida de apenas 43,5 anos, segundo os dados da Wikipedia, tem como presidente Robert Mugabe. Com 86 anos de idade, ele lidera o país desde 1980 – como primeiro-ministro; após 1987 – como presidente. Acusado de violência e intimidação contra seus opositores, seu governo é considerado um dos mais corruptos do continente africano. Por conta das graves violações aos princípios democráticos e ao pluralismo político, a União Européia têm imposto vários sanções ao país.

No dia 23 de fevereiro, o governo cometeu mais uma arbitrariedade.

Impedidos de comparar o Zimbabwe ao Egito e Tunisia

Naquele dia, Munyaradza Gwisai, palestrante na escola de direito da Universidade do Zimbabwe, mostrava vídeos da internet, produzidos pela BBC e pela Al Jazeera sobre os protestos que varreram o norte da África, para estudante e ativistas.  Se desenvolvia uma discussão acadêmica sobre os fatos ocorridos no oriente médio, quando agentes do governo invadiram o espaço e apreenderam laptops, DVDs e o projetor de vídeos. Munyaradza Gwisai Foi preso juntamente com as mais de 45 pessoas.  Por assistirem aos vídeos, foram todos acusados de subversão ao governo eleito e traição – o que pode implicar numa pena de prisão. Ou numa pena de morte.

As revoluções na Tunísia e Egito assombram e é preciso dar o exemplo. Assim, os presos têm sido exemplarmente punidos. O Los Angeles Times revela que os advogados dos presos só souberam da acusação de traição dez minutos antes da audiência e não puderam conversar com os mesmos sobre elas. Como o índice de AIDS no país é muito grande, alguns dos presos são soropositivos e estão sendo impedido de tomar a medicação antiviral. Há, ainda, denúncias de tortura contra os mesmos.


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