Cibercultura e Ciberpunk

Os vídeos abaixo, divididos em quatro pedaços,  mostram uma mesma e única entrevista concedida por Adriana Amaral, doutora em comunicação pela PUC e autora do livro “Visões  Perigosas: Uma Arque-genealogia do Ciberpunk”, ao Programa Cyber Cubo, do curso de Comunicação Social da Feevale.

Na pauta, cibercultura e ciberpunk.

O Cyberpunk, como afirma Adriana Amaral, é um elemento estético da cibercultura, presente desde o seu nascimento,  cujo elemento central  é a relação do homem com a máquina e que permeia diversas mídias e até a vida cotidiana. Começa no anos 80 como movimento literário, um subgênero da ficção científica, e a partir daí desdobra-se no cinema,  nos games, na moda, na música, nos quadrinhos, etc.


No primeiro vídeo, é abordada a questão das ciberidentidades. Ressalta-se que as pessoas têm acumulado experiências na vida real para abastecer o  perfil on-line. Adriana Amaral afirma que sites de relacionamento, como Orkut e Facebook, permitem que o usuário reconstrua sua identidade, mostrando tanto que é quanto aquilo que quer ser, num movimento que não se encontra desconectado da forma como a identidade é construída na vida real. Ocorre que as fragmentações carregadas por cada um, que se mostra em diferentes facetas ou modo de ser: aluno, profissional, pai, vizinho, amigo, etc.,  seriam potencializadas pela internet e exibidas  de forma universal.

Estes mesmos espaços das ciberindentidades também atuariam alterando a noção de memória, que passaria a ser seria fixada através de fotos expostas e compartilhadas na rede, entre outras formas.

Passando a tratar do ciberpunk, é estabelecida como uma de suas temáticas centrais a distopia – uma visão de um futuro decadente, com uma multiplicidade de estilos de vidas característica das grandes cidades, onde a máquina domina o homem num cenário em que ambos se encontram intimamente relacionados.  Adriana aponta que toda a idéia de cultura hacker,  fórum do software livre, redes  P2P,  compartilhamento em rede, que não são exatamente coisas estéticas, bebem na fonte do ciberpunk.


No segundo bloco, Adriana continua a falar sobre o cyberpunk e suas representações na cultura pop. A  partir do entendimento de que o ciberpunk herdeu muitas características do romantismo gótico, menciona que a obra Frankestein (1818),  de Mary Shelley, é considerada a fundadora da ficção científica, enquanto Neuromancer (1984), de William Gibson, seria a obra fundadora do cyberpunk na literatura, que trouxe tal conceito.  Menciona escritores atuais que exercitam o tema, como o canadense Cory Doctorov.

É apresentado como principal meio de popularização do ciberpunk o cinema. O filme Blade Runner (1982) é apontado como sendo pré-ciberpunk, mas como definidor do estilo, na esteira do qual surgiram outros longas, como  Sin City e Dark City. No entanto, são os animes que são ressaltados: “Tem muitos animes japoneses, porque hoje o grande foco ciberpunk é no Japão. É o lugar mais ciberpunk do mundo, até em termos de cultura de rua, no vestir, na moda, etc. Então a gente tem aí o Fantasma do Futuro, que é o Ghost in The Shell, que o Spielberg agora vai dirigir esse ano,  que já tinha em anime. E o Akira que eu vi que Leonardo di Caprio vai produzir”.

A pesquisadora ainda fala sobre ciberpunk nos games, apontando o cinema como o grande difusor do gênero. Como destaque na literatura, além de William Gibson, aponta Willian K. Dick que, apesar de não ser da geração ciberpunk, teve vários trabalhos adaptados com sucesso para o estilo.  Ressalta que, enquanto movimento literário, o ciberpunk acabou nos anos 80,  permanecendo a disseminação da sua estética: atitudes e comportamentos.


A música no ciberpunk é o tema do terceiro vídeo. O ciberpunk é diferenciado do punk rock, sendo ressaltado que o ciberpunk foi um movimento essencialmente literário, influenciado  pela atitude “faça você mesmo” do punk rock. Por sua vez,  algumas bandas musicais se utilizaram de elementos do ciberpunk, como a banda canadense Front Line Assembly, que teria  declarado tal  influência publicamente em um documentário.

Apesar de mencionar o Front Line Assembly, Adriana Amaral ressalta o pioneirismo dos integrantes da  Kraftwerk, que seriam “os pioneiros de tudo mesmo”. Trata-se a Kraftwerk de uma banda alemã, fundada na década de 70, que fazia e tocava música através de sintetizadores,  usando letras mínimas e focadas na vida urbana e na tecnologia. Foi responsável pela popularização da música eletrônica. No vídeo, a entrevistada ainda menciona o álbum do Kraftwerk chamado “The Man Machine” (O Homem Máquina), de 1978. Cita ainda outras bandas de inspiração ciberpunk, como o Prodigy e o Nine Inch Nails – bandas de temáticas mais soturnas  e híbridas entre rock e eletrônica.

Como reflexo da cultura ciberpunk, são citadas as defesas do Creative Commons e do download,  que se constituem formas de ativismo digital onde se encontra fortemente presente o elemento tecnológico. Também são mencionadas as organizações a partir de flah mobs e  smart mobs, que usam a tecnologia de uma forma que não tinha sido pensada antes.


Por fim, o último bloco trata de moda, comportamento e ciberpunk no Brasil. Menciona os estereótipos quanto ao modo de vestir: couro,  jaqueta, corte moicano, visuais fetichistas, roupas de vinil, mas fala também de uma “outra moda”,  a neo vitoriana, que mistura elementos românticos: roupas cheias de babado, golas enorme, I Pod, piercing, tatuagem, combinando elementos antigos e atuais.

Adriana Amaral traça uma relação entre ciberpunk e religião, usando como exemplo  o filme Matrix, onde personagens sofrem uma desmaterialização, deixando o próprio corpo para entrar na rede: a separação entre mente e espírito. Trata-se  de uma idéia antiga que pode ser localizada desde os gregos, passando por Descartes, até nossos dias, quando a divindade passa a ser representada pela máquina e pela tecnologia.

Todos os desejos humanos seriam transferidos para a máquina: não morrer; ficar jovem para sempre; transformar o corpo através de cirurgia plástica, como um implante de silicone; e até mesmo, num extremo, realizar uma correção do corpo através uso de óculos – elementos de ciborgização.

Por fim, o ciberpunk é definido em três palavras chaves:  distopia, relação homem-máquina; e obsolescência do homem.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s