Em 1929


Quando se pensa em 1929, nunca se pensa em tecnologia.

O ano de 1929 é sempre lembrado pela Grande Depressão: a economia americana, falida, causou estragos no mundo inteiro esse filme é velho). Mas aquele  também foi o ano do lançamento da primeira tira de ficção científica:  Buck Rogers 2429 AD.

O ano em que Erik Rotheim  patenteou o aerossol.  Em que o astronômo Edwin Hubble lançou os fundamentos para Teoria do Big Bang, com seus estudos sobre as galáxias. Foi o ano em que o francês Louis de Broglie recebeu o Prêmio Nobel pela descoberta da natureza ondulatória dos elétrons. No qual ocorreu a primeira cerimônia de entrega do Oscar, cujo vencedor na categoria melhor filme foi o único filme mudo a conquistar a premiação máxima, Wings. É também o ano em que Salvador Dali lança “O Cão Andaluz” e em que no Brasil chega aos cinema o primeiro filme nacional totalmente sonorizado: “Acabaram-se Os Otários”, de Luís de Barros .


Charles Buddy Rogers, Clara Bow e Richard Arlen, em "Wings"


Naquele mesmo ano, Sigmund Freud escreveu o livro “Civilização e Seus Descontentes”, com o objetivo de analisar as tensões entre o indivíduo e a civilização.  Donna Haraway não havia nascido, nem se falava tanto em ciborgues, quando o mesmo escreveu o que soa absolutamente século XXI :

“Através de cada instrumento, o homem  está aperfeiçoando seu organismo, seja a parte motora ou sensora, ou está removendo os limites para sua funcionalidade. A potência dos motores põe à sua disposição gigantescas forças que, como músculos, ele pode empregar em qualquer direção; graças à navios e aeronaves, nem a água nem o ar podem impedir seus movimentos; através de óculos, corrige defeitos nas lentes dos próprios olhos; através de telescópios vê à longa distãncia; e através do miscroscópio supera os limites de visibilidade colocados pela estrutura de sua própria retina. Na câmera fotográfica criou um instrumento que retém impressões visuais fugidias, asim como o gramofone retém impressões auditivas igualmente transitórias; ambos são materializações fundamentais do poder que ele possui de recordar, sua memória. Com a ajuda do telefone pode ouvir à distãncias que seriam tidas como impossíveis mesmo num conto de fadas. A escrita era em sua origem a voz de uma pessoa ausente; e uma casa de moradia um substituto para o ventre da mãe…”


Se já existissem celulares, notebooks, tablets, internet, etc, poderia-se pensar na seguinte continuação para o texto:

“Com o cartão de crédito, o homem cria um instrumento que supera os limites de sua capacidade de endividamento; com a internet, amplia suas possibilidades de gozo sexual com o uso das mãos; com o photoshop atinge uma perfeição ( ou imperfeição física) inimaginável até nos sonhos das maiores dondocas”…

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