“Tive que matar”: Entrevista com Virginia Woolf

 

V Woolf Editado

 

Nascida no ano de 1882, época em que o destino das mulheres era o lar, a escritora inglesa Vírginia Woolf, autora de “Mrs. Dalloway”, “Rumo ao Farol” e “Orlando”, sempre esteve muito preocupada com a situação das suas companheiras de gênero. Não é à toa que entre seus ensaios traduzidos para o português se encontram os livros “Um Teto Todo Seu” e “Profissões Para mulheres e Outros Artigos Feministas”.

Catálogo de Indisciplinas aproveita o texto de “Profissões Para mulheres e Outros Artigos Feministas” para fazer uma bela entrevista  com Virginia, retomando um episódio muito comentado de sua carreira literária. Ela faleceu em 1941, mas a entrevista acontece agora, em junho de 2018. Afinal, não importa que nossos corpos não estejam vivos ao mesmo tempo, pois é para isso que serve a escrita, não é? Para permitir que possamos nos encontrar, para permitir que possamos ouvir os mortos e as mortas!

Então, vamos lá!

Catálogo de Indisciplinas: Virginia, no livro “Profissões Para mulheres e Outros Artigos Feministas”, lançado no Brasil pela LPM, você menciona um certo fantasma chamado “Anjo do Lar”. Que história é essa?

Virginia Woolf: Você, que é de uma geração mais jovem e mais feliz, do século XXI, talvez não compreenda bem. Mas “Anjo do Lar” é aquele ideal de mulher que deve sempre se sacrificar, ser simpática e encantadora, sem opinião ou vontade.  Então aconteceu o seguinte! Quando comecei a escrever resenhas, me vi atormentada por  esse fantasma de mulher. Eu escrevia a resenha do livro de um homem famoso e esse fantasma me dizia que, como eu era uma moça, deveria ser meiga e afável, usar as artes e manhas de meu sexo, ser pura  e não deixar ninguém perceber que eu tinha opiniões próprias. Ser esse “Anjo do Lar”, entende?

Catálogo de Indisciplinas:  Entendo, sim! Isso acontece até hoje, não só na época em que você viveu. Continua sendo um empecilho para a autonomia das mulheres. Mas nos conte, como você fez pra se livrar do fantasma?

Virginia Woolf:  Veja só! Tive que pegar o tinteiro e jogar nesse “Anjo do Lar”! Tive que partir mesmo para cima do “Anjo do Lar”, agarrar a garganta e tentar esganar!  E cada vez que eu achava que já tinha acabado com esse fantasma, ele reaparecia e eu tinha  que lidar com ele outra vez. Em vez de estar aprendendo grego ou correndo o mundo em busca de aventuras, lá estava eu, brigando com ele de novo! No fim, tive que matar! Foi difícil, demorado, mas  consegui e me orgulho disso!

Catálogo de Indisciplinas: Conseguiu matar de uma vez por todas?

Virginia Woolf:  Sim, claro!

Catálogo de Indisciplinas: Você poderia ter sido presa!

Virginia Woolf: Ah, mas se me levassem a um Tribunal, eu teria um excelente argumento! Legítima defesa! Tive que fazer isso porque segundo esse ideal do “Anjo do Lar”, as mulheres não podem falar o que pensam sobre as relações humanas, sobre a moral e o sexo,  com liberdade e franqueza. Têm que agradar, dissimular, mentir. Veja só! Foi uma dificuldade imensa realizar essa morte porque a natureza fictícia do fantasma lhe ajudou muito. É muito mais difícil matar algo sem corpo do que uma realidade corpórea. Mas se eu não matasse o “Anjo do Lar”, o “Anjo do Lar” me mataria! Ele arrancaria o coração da minha escrita!

Catálogo de Indisciplinas: Você me convenceu! Tinha que matar mesmo! E depois que o Anjo morreu, o que ficou?

Virginia Woolf:  Ficou… algo simples e comum. Uma jovem num quarto com um tinteiro. Uma moça que por ter se livrado da falsidade, tinha que ser ela mesma. E isso é complicado, ser você mesma. Afinal, o que é uma mulher?  Eu juro que não sei! Duvido que vocês saibam! E nem podem saber antes que as mulheres possam se expressar em todas as artes  e profissões abertas às capacidades humanas!

Catálogo de Indisciplinas: E você acha que as mulheres podem se expressar em todas as artes, em todas as profissões?

Virginia Woolf:  Claro que podemos! Mas há os fantasmas. Por todos os lugares há diversos tipos de fantasmas! Ainda vai levar muito tempo até que uma mulher possa escrever um livro sem ter que matar um fantasma, remover uma rocha ou algo assim, pois são muitos os obstáculos nos caminhos das mulheres. Agora, imagina! Se isso acontece na literatura, imagina  nas novas profissões que as mulheres estão começando a experimentar! Por isso é muito importante discutir  e definir essas questões, discutir os fins e as metas pelos quais lutamos, para que a gente possa combater esses obstáculos tremendos!

Catálogo de Indisciplinas: Estamos chegando ao fim da entrevista, Virginia! Quer dar algum recado  especial aos nossos leitores?

Virginia Woolf:  Quero, sim! Para as mulheres. Olhem bem! Vocês estão, com muito esforço e trabalho, pagando o aluguel e ganhando seu dinheirinho, tendo “um teto todo seu” em lugares que antes eram só dos homens. Mas essa liberdade é só o começo! Com quem será dividida sua casa? E em que termos? Pela primeira vez na história, vocês já podem fazer essas perguntas e já podem decidir quais serão as respostas! Pensem bem sobre isso!

Catálogo de Indisciplinas: Virginia, muito obrigada! Como sempre, você arrasou e suas observações nos tornaram mais atentos para essas complexas questões de gênero! Catálogo de Indisciplinas adorou falar com você e vai te convidar outras vezes!

Virginia Woolf:  De nada, querida! O prazer foi todo meu! Mas me diga uma coisa! Você já matou seu fantasminha de hoje?

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“Sob a Pele”: alienígenas, mulheres e jogos de imitação

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No filme Sob a Pele (Grã Bretanha e EUA, 2013), dirigido por Jonathan Glazer e baseado em livro de Michel Faber, se falou obsessivamente sobre o corpo e o rosto da protagonista Scarlett Johansson,  contrapondo excesso de imagens e escassez de falas, principalmente levando em conta que os primeiros reais diálogos do longa só acontecem depois dos dez primeiros minutos de sua exibição.

Mas apesar dos cabelos exuberantes, do batom vermelho, das roupas provocantes e dos seios fartos evidenciados em algumas cenas, interpreta Scarlett uma mulher?

Em pouco tempo percebemos que a personagem principal é um/a ser alienígena que usa a pele da linda atriz para atrair machos que lhe servirão, literalmente, de alimento e combustível – pois a função da comida é produzir energia. Mas quem poderá afirmar que a criatura seria homem ou mulher? Afinal, teriam esses alienígenas pênis e vaginas? E se reproduziriam de forma sexuada? Carregariam outros de sua espécie dentro de seus próprios corpos?

E como pensam os alienígenas, como sentem? Quais os critérios que guiam suas escolhas? Se são tão diferentes do que somos, o que deveria nos fazer crer que são valores semelhantes aos nossos que os movem? E por que deveríamos supor que numa sociedade alienígena – espelhando a nossa própria sociedade, também haveria uma organização por gênero, por sexo, que determinaria as ações dos indivíduos de acordo com o tipo de órgão sexual que carrega entre as pernas?

É por conta de todos esses questionamentos que erramos ao tomar Scarlett, no filme de Glazer, por mulher. Não devemos perder de vista o fato de que provavelmente não exista em sua sociedade o que conhecemos por homem ou por mulher. À moda do jogo da imitação de Alan Turing, em que um software imitava um ser humano, desafiando um outro ser humano real a descobrir onde estava a máquina e onde estava o humano, Scarlett interpreta um ser que apenas imita uma mulher. Querer determinar a esse ser alienígena um identidade feminina ou masculina é querer forçar nossos binarismos sobre mundos cujas leis desconhecemos por completo.

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Antes, o que a atriz representa é um/a imigrante de uma civilização muito distinta da nossa, um/a usuárix de uma forma aleatória que lhe permitirá melhor executar as tarefas que lhe foram propostas (no livro de Faber, ele/ela é funcionário de uma fábrica interplanetária de alimentos, onde a carne humana é uma iguaria valiosa). Assim, a aparência de mulher sexualmente disponível e convidativa que utiliza, antes de revelar sua identidade de gênero, revela apenas que compreende algo de nossa sociedade e por isso a escolheu como instrumento necessário para fisgar corpos de homens ávidos por um sexo fácil e gostoso, mas que o invés disso terão… (deixemos para lá! Não vamos antecipar as surpresas do filme!).

Contudo, num filme tão aberto a interpretações (há quem diga que se trata de uma metáfora à imigração), podemos apostar que esse ser alienígena não fez a lição de casa como deveria: não estudou o suficiente para garantir um vocabulário mais rico, como denuncia a monotonia das falas de Scarlett, principalmente quando não está mais em sua caçada e pode abandonar a sua coleçãode  frases feitas. Também não estudou o suficiente para entender o conceito de beleza, como revelam elogios rasgados endereçados a um jovem cuja aparência em nada corresponde aos padrões de beleza vigentes, provocando risinhos zombeteiros em plateias politicamente incorretas. Mas o que é pior de tudo: não estudou o suficiente sobre a relação entre homens e mulheres para garantir a própria segurança física, como descobrimos no decorrer do filme.

E é aqui que o tiro sai pela culatra.

Sem querer apresentar mais um spoiler, entre o rol de coisas em relação às quais o/a alienígena cometeu falhas na assimilação, devemos incluir – com certeza, os riscos aos quais se expõe ao escolher para sua atividade predatória um disfarce feminino num planeta em que mulheres são vítimas preferenciais de vários tipos de violência. Se na primeira parte do filme é o alienígena que se impõe, objetificando os humanos machos recolhidos em estradas solitárias, na segunda parte da película assistimos uma reviravolta – e é o alienígena que é objetificado ao ser erroneamente tomado por mulher.

Erramos ainda, se supomos que a criatura só é violentada porque possui o rosto de boneca e o corpo tão voluptuoso quanto o de Scarlett Johansson. Esse ser é violentado porque seu aspecto externo imita a aparência em seus aspectos gerais de uma mulher, independente da categoria na qual possam ser classificados seus atributos estéticos. E esse ser descobre, da pior forma possível, o que é carregar, sobre a sua, essa outra pele.

Machismo Pós-Apocalíptico

Shane e Rick, os homens fortes da série.

Produzida nos Estados Unidos  e adaptada da HQ de mesmo nome, a série de tv The Walking Dead retrata as mulheres como retardadas.

Enquanto os homens saem para procurar alimentos ou para matar algumas feras, as mulheres passam o tempo lavando, limpando e cozinhando. Estaria tudo bem, se a série se passasse na pré-história. Ou na Idade Média. Mas acontece que as feras se tratam de zumbis e aqueles homens e mulheres são sobreviventes num mundo pós-apocalíptico que simula o nosso. Ou deveria. Pois inimaginável pensar, assistindo a série, que as mulheres pudessem deixar o trabalho doméstico e  se tornarem presidentes da república, chefes de família, líderes, policiais, etc.

Os zumbis – walkers, destroem toda a ordem social: não há  mais polícia, advogados, políticos de carreira, professores, escolas, hospitais, etc. Apesar da série se passar nesse mundo de total destruição, especialmente na segunda temporada, as mulheres são mostradas chorando, calmamente se ocupando da comida ou da roupa ou em comportamentos claramente alienados, sem qualquer  instinto básico de sobrevivência.

A única exceção poderia ser Andréa (Laurie Holden). Afinal, entre as mulheres, é a única que aprendeu a atirar e não se separa mais de sua arma. No entanto, como  mulheres não podem ser hábeis atiradoras, no quinto episódio da segunda temporada, Andréa, crente que estava abafando ao matar um zumbi, acerta  mesmo é o companheiro de grupo Daryl (Norman Reedus), este sim, um guerreiro que havia acabado de esfolar dois zumbis e feito um colar com as orelhas dos mesmos, orgulhosamente exibido como troféu de guerra em seu pescoço.

Maggie (Lauren Cohan) até que parecia forte, mas na primeira vez em que é atacada por um zumbi, embora aparentasse ser uma fazendeira  durona e  uma exímia amazona, não hesita em gritar pelo seu príncipe: “Me salva, Glenn!”.

 Lori (Sarah Wayne Callies), na primeira vez em que tenta dar uma de forte, pega uma arma e entra num carro para tentar salvar o marido, se envolve um acidente estúpido. Como que para provar que mulher não nasceu mesmo para essas coisas, o carro  capota após bater num zumbi e Lori, ao invés de salvar, acaba sendo resgatada pelo outro homem forte da série, Shane (Jon Benrthal).

Fraca e carente, Carol (Melissa McBride) até agora se limitou a chorar ou a ficar em um canto encolhida. Fraca e carente – sim, mais uma -, Beth (Emily Kinney) não suporta a dor de não poder ter a vidinha despreocupada que levava antes e quer se matar. Mas como mulheres são sempre ineptas, ela até que tenta, mas nem nisso é bem sucedida: corta os pulsos, que acabam sendo costurados pelo paizinho. Sim, Carol e Beth são muito carentes. De autonomia.

No episódio, “18 Miles Out”, Lori (Sarah Wayne Callies) e Andréa (Laurie Holden) tẽm uma acalorada discussão na cozinha. Lori acusa Andréa de não ajudar nos serviços domésticos. A outra diz que também faz sua parte, pois está na equipe responsável pela segurança do grupo. Lori afirma que esse trabalho deve ser deixado para os homens,  que podem tomar conta de todas elas, enumerando as tarefas que Andréa tem deixado de fazer por se meter onde não deve.  Após lhe dizer poucas e  boas, Andréa afirma que a outra se comporta como uma dona de casa dos anos 50.

Talvez a cena descrita indique uma mudança no roteiro da serie, mas até agora as  mulheres são todas apresentadas como vítimas sofridas, ineptas para cuidarem de si mesmas sem ajuda de um homem. Se as questões de gênero não se aplicam quanto aos zumbis – os mortos andantes estão em posição de igualdade entre si, sejam homens ou mulheres, o mundo pós-apocalíptico onde os vivos circulam apresentado pelos executores de Walking Dead, mais do que nunca, é um mundo cujo comando pertence aos  homens, estando as mulheres numa posição clara de inferioridade: a elas resta apenas seguir ordens, pois é o que fazem melhor. Quando tomam alguma iniciativa, entram numa fria.

Michonne

Nas historias em quadrinhos, existe um importante personagem, ativo e hábil com armas que,  por incrível que pareça, não possui um pênis. Trata-se de Michonne, ex-advogada praticante de esgrima. Para afastar os walkers, Michonne usa como método caminhar sempre com alguns deles muito próximos de si. A intenção é que, através do cheiro daqueles walkers, seja também tomada como morta-viva e espante a ameaça dos zumbis.

Talvez Michonne jamais apareça na série, afinal, ela não lava cuecas. A intenção de The Walking Dead não é mostrar  zumbis, mas como as pessoas reagem e tentam manter seus valores quando o  mundo está ruindo a seus pés.  E é aí que se revela conservadora.

Os valores que o grupo de sobreviventes tenta manter, liderados por Rick Grimmes (Andrew Lincoln), estão claramente apoiados nos tripé família, tradição e propriedade. È assim que  Hershel (Scott Wilson) reafirma incessantemente que aquela é a “sua” fazenda: “My farm, my say”, sem  que qualquer personagem lhe ofereça oposição, lembrando que naquele mundo em ruínas em que tantos nada possuem, não há nada mais que garanta uma idéia de propriedade privada.  É com a mesma ênfase que Rick o tempo todo também  afirma que Lori é “sua”, sua mulher. Com um óbvio endosso dos estereótipos tradicionais de gênero, são negados todos os avanços dos anos de lutas das mulheres – ou teriam os roteiristas perdido os último cem anos de história?

Atualizações:

1) Michonne será vivida na série pela atriz Danai Gurira:

2) A Playboy americana irá publicar a origem da personagem na sua edição de abril:

Peladas no Museu

 



“Mulher só pode entrar no museu se tiver pelada?”.

Quem faz a provocante pergunta são as garotas do Guerrilla Girls. E explicam: Menos de 5% dos artistas nas seções de arte moderna dos museus são mulheres, mas 85% dos nus são femininos.

Tudo começou em 1985, quando o Moma, em Nova Iorque, abriu uma  “Mostra Internacional de Pintura e Escultura”.  A ativista conhecida como Kathe Kollwitz conta que, embora devessem lá estar presentes  os mais significativos artistas da época, entre 169 artistas só havia 13 mulheres.  Todos os artistas eram ou dos Estados Unidos ou da Europa. Nenhum negro. Por si só, tal situação já seria ruim o suficiente, mas o curador da mostra, Kinaston Mcshine, teria  afirmado que qualquer artista que não estivesse na exposição deveria repensar sua carreira.

Esse foi o estalo.

As pioneiras do Guerrilla Girls  foram pesquisar e logo constataram que os mais influentes museus e galerias quase não exibiam artistas mulheres. Quando confrontados,  a maioria dos responsáveis respondia que aquele era um problema causado pela qualidade, não pelo  preconceito, embora outros admitissem o preconceito, pelo que as artistas resolveram constrangê-los através da exibição pública dos fatos.

Sob o nome de Guerrilla Girls, passaram a agir anônimas de várias idades reinvidicando maior participação nos espaço de arte para as produções femininas. Usam como pseudônimos os nomes de artistas mortas , como Frida Kahlo, Ana Mendieta e Anais Nin.

Produzem livros, posters, performances, etc., para denunciar as estratégias sexistas na arte, política e cultura de massas. Nas intervenções públicas, usam máscaras de gorilas.  Segundo informado no site do grupo, o fazem para focar a atenção na causa defendida, não nas suas personalidades, bem como para evitar possíveis retaliaçoes, uma vez que trabalham com arte.

A proposta do Guerrilla Girls é desarmar sua audiência e fazê-la pensar através da ironia e do  bom humor, se afastando do estereótipo das feministas chatas de  mau-humor.

Guerrilla Girls recebendo premio de Yoko Ono, em 2010.

As garotas, ou senhoras, do Guerrilla Girls têm razão nas suas reclamações.   Catálogo de Indiscisplinas não encontrou dados da presença feminina nos museus ou galerias brasileiros,  mas desconfia que os dados daqui sejam piores que na Europa ou nos Estados Unidos.

Tarsila, Lygia Clark e Adriana Varejão são exceções. A mulher, por excelência, é presença marcante nas artes plásticas. Mas como criatura, não como criadora. Preferencialmente pelada.  O fato de quase não verem mulheres no mercado de artes plásticas no Brasil não significa que elas nas optaram por essa esfera, mas que foram relegadas ao anonimato, diriam as Guerrilla Girls. Faz sentido, afinal, sempre houve reserva de mercados para os homens: universidade, voto, trabalho…  que foram caindo com o tempo, mudança de paradigmas e muita luta. É que Miriam Oliveira afirma sobre as artes plásticas no Rio de Janeiro, no século XIX:

“Fazendo-se presente a todos os momentos, a autoridade masculina chega até mesmo o não consentimento à mulher de se projetar nas artes plásticas. A Academia Imperial de Belas Artes contribuiu para a essa visão discriminada da artista feminina no século XIX, uma vez que era vetado o ingresso na Instituição, liberado somente ao sexo masculino, permitindo apenas às pintoras de participarem como convidadas para as Exposições Gerais” (OLIVEIRA, 1993, p. 72).

E o que mais não sabemos?

Para saber mais:

GUERRILLA GIRLS. Disponivel na internet em: http://www.guerrillagirls.com/posters/getnaked.shtml. Acessado em 25.04.10.

MACEDO, Ragnaia, Coutinho. A mulher como produtora de arte. Disponível na internet em: http://www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/103RagnaiaCoutinhoMacedo.pdf. Acessado em 25.04.10.

OLIVEIRA, Miriam Andréa. Abigail de Andrade: artista plástica do Rio de Janeiro, no século XIX. Rio de Janeiro: Arquivo da Pós-Graduação em Artes-Visuais. Mestrado em História da Arte, 1993.

TAVARES, Paula. Breve cartografia das correntes desconstrutivistas femininas. Disponível na internet em: http://www.artecapital.net/opinioes.php?ref=64. Acessado em 25.04.10.