A Outra Babel: línguas ficcionais

Imagem: Tomek Sętowski

Imagem: Tomek Sętowski

Todas as línguas e idiomas utilizados pelos homens foram criados. Difícil precisar todos os detalhes: Onde exatamente? Como? E por quem? Se as respostas são difíceis nos idiomas correntes, porque não foram criados por uma pessoa específica em um momento específico, em alguns casos se pode apontar facilmente o criador. E é isso que o Catálogo de Indisciplinas fará, mexendo na Torre de Babel erguida pela ficção.

Não falaremos do Dothraki, criado por J. R.R. Martin em “Game of Thrones”. Nem do Klingon, que é uma língua alienígena desenvolvida na série Jornada das Estrelas. Ou do Na’Vi, do filme “Avatar”, de James Cameron. O Sindarin, que pertence a “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, e é o mais falado de vários idiomas do reino dos elfos, ficará talvez, para outro post.

Catálogo de Indisciplinas quer tratar mesmo é das línguas fictícias que se amparam nas teorias que postulam a existência de uma relação de dependência entre linguagem e pensamento: as palavras moldariam o nosso pensamento, construindo nossas categorias mentais e determinando uma maneira específica de ver o mundo. A partir disto, nossa breve lista:

1. Novilíngua, de George Orwell (1903-1950)

Cena do filme de mesmos nome.

Cena do filme de mesmo nome, dirigido por Michael Radford e lançado também no ano de 1984.

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Publicado em 1949, “1984” é uma história de ficção científica que se desenrola dentro de um estado totalitário – Oceânia, simbolizado pelo Big Brother, que a tudo e a todos observa.

Com o fim de instrumentalizar os objetivos do estado, se desenvolveu a Novilíngua, que não é um idioma ou uma língua nova, mas a língua antiga encolhida, cada vez mais reduzida a seus elementos essenciais, manipulada para extrair dela todas as possibilidades de resistência, tudo que possa ser semente de um pensamento questionador, de expansão do pensamento e de expressão individual.

Apoiando a opressão política e acarretando o fechamento do pensamento, o significado das palavras é alterado de acordo com as necessidades do estado, vindo até mesmo a significar o oposto dos sentidos originais. É assim que o slogan do partido que comanda Oceânia declara: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”. Bem assim, ao inverso.

Amparada na ideia de que aquilo que não pode ser verbalizado não pode ser pensado ou comunicado, a língua opera seu próprio empobrecimento: suprime termos; suprime a sinonímia; promove confusão de significados entre antônimos a fim de banir os sentidos indesejados.

A principal função da novilíngua não é comunicar. Ela existe para garantir um pensamento igualitário, sem dissensos, impedindo não só a comunicação de ideias contrárias à ordem política estabelecida, mas até mesmo que tais ideias sejam geradas.

2. Pravic – Ursula K. Le Guin (1929-)

Ursula K. Le Guin

Ursula K. Le Guin

Em “Os Despojados: uma utopia ambígua” (1974), a ação se passa num tempo e num lugar muito distante do nosso, em que as mudanças mais profundas não se encontram nas incríveis máquinas tecnológicas do futuro, mas nos valores de uma sociedade que, ao mesmo tempo, se reflete e é refletida na língua.

Se em “1984” encontramos um estado extremamente forte, “Os Despojados” apresenta uma sociedade sem estado. Após uma revolta contra o sistema político do planeta Urras, na qual foram derrotados, em lugar de ser presos, aos revoltosos foi dada a opção de se instalar e colonizar um planeta árido e hostil: Anarres.

Quando os revolucionários se instalaram no novo planeta, com a intenção de iniciar uma nova civilização, elaboram uma nova língua. Como os primeiros habitantes dos planeta Anarres vieram de Urras, era aquele seu sistema linguístico de referência. Então, a nova língua se construiu por oposição ao Ioti, idioma de Urras. Chamada Pravic, a nova língua incorporava os valores da nova sociedade que quiseram ver instalados em Urras: uma sociedade anarquista, descentralizada, sem hierarquias, privilégios de classe e gênero, sem propriedade privada.

Um verbo central em Anarres é “compartilhar”, enquanto em Urras era “ter”. O Pravic é construído para desconstruir as estruturas tradicionais de poder. Não há palavras que expressem concepções de classe ou status, nem títulos de nobreza. Os nomes próprios não fornecem indicação quanto ao sexo das pessoas e os substantivos e adjetivos são neutros quanto ao gênero. E porque não há propriedade individual, a língua exclui os pronomes possessivos.

Palavras e concepções como prisão, escravos, casamento e moralidade, entre outros, são estranhos em Anarres. Um grande insulto em Pravic é chamar alguém de “profiter”, algo como “ganancioso interessado apenas no lucro”, significando que o mesmo não pensa no bem da comunidade. Para eles, a língua deveria reforçar o sentido de comunidade e solidariedade no mundo. Nesse espírito, um dos personagens declara: “Falar é compartilhar – a língua é uma arte colaborativa”.

3. Nadsat, Anthony Burguess ( 1917-1993)

Cena do filme de mesmo nome.

Cena do filme de mesmo nome, anglo-estadunidense, dirigido por Stanley Kubrik e lançado em 1971.

Inseridas em obras profundamente políticas, tanto a Novilíngua quanto o Pravic apostam que existe uma forte relação entre linguagem e desenvolvimento do pensamento.

Como as anteriores, a ficção de Burguess, “Laranja Mecânica” (1962 ), também possui conteúdo político: questiona se a negação ao indivíduo da sua liberdade de escolha não pode ser um mal maior que o próprio mal que o mesmo possa vir a cometer. Mas dá um tratamento diferente ao modo de falar que apresenta.

Na obra do britãnico, o Nadsat, que não é um idioma ou uma língua independente, mas uma espécie de gíria que mistura palavras em inglês, russo e o cokcney – modo de falar dos operários ingleses, é usado como forma de distinção pelo protagonista Alex, um delinquente juvenil, e seus amigos. Seu modo característico de fala marca a identidade do grupo, funcionando como barreira entre o mesmo e os outros.

Inseridos dentro de um sistema linguístico de referência, o Nadsat permite aos jovens escapar do poder regulador das palavras comuns, mantendo os mesmos à parte da cultura que os cerca: os adolescentes não partilham dos valores dos mais velhos, nem admite associações com os mesmos.

Nessa comunidade formada por Alex e seus companheiros, os drugues, onde os valores compartilhados, ligados à violência, são reforçados e celebrados, um dos efeitos do Nadsat é amenizar simbolicamente os atos de violência, que nunca são descritos na língua corrente, mas no dialeto usado pelo adolescentes.

O uso do Nadsat causa também um estranhamento no leitor, pois as gírias são usadas não apenas entre as conversas entre personagens, mas também na narração de grande parte história, que é realizada por Alex, passando ao leitor o encargo de ter que de lidar com o possível significado de cada verbete.

4. Codex Seraphinianus

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Imagem: Uma das páginas do Codex Seraphinianus.

Em 1981, o italiano Luigi Serafini (1949-) publicou um enigmático livro. Trata-se de uma enciclopédia ilustrada de um mundo imaginário, escrita numa língua estranha, usando um alfabeto igualmente estranho.

O autor declarou que não havia nenhum significado oculto na língua inventada por ele, que mais se assemelhava a uma escrita automática. Dizendo que sua escrita era artística e não linguística, Serafini declarou querer produzir no leitor a mesma sensação que teria uma criança não alfabetizada ao contemplar os símbolos linguísticos que não compreende.

Por fim, Catálogo de Indisciplinas lembra que existem muitas outras experiências de criação de língua fora do reino da ficção. John Wilkings sonhou em construir uma língua que pudesse corrigir o pensamento humano. Umberto Eco imaginou uma “Linguagem Perfeita”, racional e lógica, que eliminaria todos os mal entendidos. Criou-se o Esperanto, o Volapuk, etc. E há linguagem de computador, linguagem matemática e tantas outras coisas.

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Destilando Veneno

Catálogo de Indisciplinas traz para seus leitores pérolas dos nossos queridos malditos – diretamente ou falando através de personagens, destilando veneno contra mestres do pensamento ocidental e outros escritores de grande prestígio. Vaidades, ciúmes? Não é incomum termos opiniões desfavoráveis sobre nossos semelhantes, mas nós, pobres mortais, raramente conseguimos esboçá-las com tanta destreza. Considerando que todos os envolvidos já estão mortos e enterrados – e que as opiniões insultuosas foram amplamente divulgadas, ninguém vai nos mandar pro inferno sob a acusação de  estarmos querendo jogar mais lenha na fogueira.

1) Charles Bukowski (1920-1994)  sobre William Shakespeare (1564-1616):

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Charles-Bukowski

 “É ilegível e valorizado mais do que deveria. Mas as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer: Fulano de Tal é um péssimo ator”, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles viram bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.” (BUKOWSKI, Charles. Tough Guys Write Poetry.  Entrevista a Sean Penn. Interview Magazine, 1987).

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2) Thomas Bernhard (1931-1989) sobre Heidegger (1889-1976):

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“Não consigo imaginar Heidegger senão sentado num banco do lado de fora da sua casa na Black Forest, junto com a esposa que toda a vida o dominou e que confeccionou todas as suas meias e chapéus, assou seu pão,  teceu sua roupa de cama e até mesmo as sandálias usadas por ele. Hedeigger era brega… um pensador fraco dos montanhas alpinas, que, acredito, muito se adequa à salada filosófica alemã. Por décadas, compulsivamente consumiram esse homem,  mais que a qualquer outro, e preencheram seus estômagos com as coisas oriundas dele. Heidegger tinha um rosto comum, nada espiritual, disse Reger, ele era um homem sem espírito, desprovido de fantasia, desprovido de sensibilidade, um genuíno ruminante da filosofia alemã, sempre uma vaca com ar sério que pastava na filosofia alemã e por décadas pousou suas espertas patinhas de vaca sobre ela”. (BERNHARD, Thomas. Old Masters. Comedy.  Chicago: University of Chicago Press, 1992).

 

5) Hilda Hilst (1930-2004) sobre João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

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“Ele deslizava a lâmina da faca na água da bacia. Lembrou-se de um poeta que adora facas. Que cara chato, pô. Inventaram o cara. Nada de emoções, ele vive repetindo, sou um intelectual, só rigor, ele vive repetindo. Deve esporrar dentro de uma tábua de logaritmo. Ou dentro de um dodecaedro. Ou no quadrado da hipotenusa. Na elipse. Na tangente. Deve dormir num colchão de facas. Deve ter o pau quadrado. Êta cabra-macho rigoroso! Chato chato”. (HILST, Hilda. Contos d’Escárnio: textos grotescos. São Paulo: Globo, 2002).

A palavra como imortalidade

Lindevania Martins

No filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman, um homem desafia a Morte a jogar xadrez.

As coisas que conhecemos são de dois tipos: aquelas cuja duração nos ultrapassa; e as que terminam antes de nós. Ambas pontuando nossa incapacidade de escapar ao fim.

Não fomos feitos para permanecer, mas Deus e o diabo sempre nos seduziram com a promessa de vida eterna. A ciência, se ainda não promete o mesmo, faz acreditar que um dia chegaremos lá.  A literatura e o  cinema  nos envolveram em fantasias através de tipos diversificados: imortais como deuses e vampiros; criaturas meio vivas, meio mortas, como zumbis; frágeis ou ambiciosos  humanos tentando ludibriar a morte.

Incapazes de vencê-la com nosso próprio corpo,  ainda podemos fazê-lo com os corpos de outros: nosso material genético sobrevivendo nos nossos filhos, nos filhos de nossos filhos.

No entanto,  ainda podemos fazê-lo de um modo ainda mais ardiloso.

Em “Fedro”, ao atacar a invenção da escrita, Platão afirma que ela conduzirá ao esquecimento: quando tudo está escrito e pode ser lido,  não há porque o homem cultivar a memória, que se torna dispensável. Em  “O Dicionário Kazar”,  Milorad Pávitch pôs em cena uma princesa que inscrevia nas pálpebras, para afugentar os inimigos enquanto dormia, as letras de um alfabeto proibido cuja leitura conduzia a morte. Contudo, ante a dissipação da palavra falada,  a invenção da escrita foi uma técnica para fazer durar a linguagem, aumentar a memória, fazendo viver.

Se a possibilidade da imortalidade física vem acompanhada de inúmeros problemas, como o espaço no nosso cérebro para o armazenamento de memórias de uma vida infinita, o espaço geográfico apto a abrigar tanta gente, moradia e trabalho, a morte do nosso Sol e o fim do universo, etc., esta outra imortalidade tem apenas implicações positivas, significando que foi realizado um acréscimo no nosso repertório cultural.

Como acontece com os genes, ainda se vence a morte através do outro:  da ponte que a palavra fixada estabelece  entre quem a forja e quem a recebe.

Esta semana morreu José Saramago.

O Que Estou Lendo: “O Homem Medíocre”

Lindevania Martins

Imagem: "Gula", de Bosch. "No verdadeiro homem medíocre, a cabeça é um simples adorno". (José Ingenieros).

“No verdadeiro homem medíocre, a cabeça é um simples adorno”. (José Ingenieros). Imagem: Hieronymus Bosch.

Descobri o livro “O Homem Medíocre”[1] no começo do ano, fuçando na internet, e ele logo ganhou um lugar  na minha “lista de objetos de consumo”. De férias em Florianópolis-SC, fuçando dessa vez em livrarias reais, “O Homem Medíocre” caiu nas minhas mãos.

Seu autor, o argentino José Ingenieros [2] (Palermo,1877 – Buenos Aires, 1925), possuía múltiplos talentos: foi médico, filósofo, criminologista, professor, sociólogo, etc.  É um dos maiores intelectuais da América Latina e da Argentina. Na área jurídica, é famoso pelos seus estudos em criminologia.

“O Homem Medíocre”  se  originou das lições ministradas por ele em 1911, quando professor da Faculdade de Filosofia e Letras, em Buenos Aires. Em Madrid, em 1913, ocorreu sua primeira impressão. Pretendia ser uma advertência aos jovens dos efeitos danosos de uma vida pequena e acomodade e, de fato, parece ter surtido efeito: sob sua  influência, aqueles jovens  protagonizaram a Reforma Universitária de 1918, na Argentina.

Numa escrita forte e sem meio termos,  o argentino demonstra todo seu desprezo pelo  que classifica de homem medíocre e afirma a necessidade de estudá-los: “Nenhum homem é excepcional em todas as suas atitudes. Mas não se poderia apenas definir como medíocres os que não sobressaem em nenhuma. Os medíocres desfilam diante de nós como exemplares de história natural, com o mesmo direito dos gênios. Já que existem, é preciso estudá-los”.

E isso o autor faz com mérito: estuda, desnuda, disseca. Mas, para começo de conversa, vamos  entender o que é o homem  medíocre para Ingenieros.

O homem medíocre é aquele cuja ausência de caracteres pessoais impede que se possa distinguir entre o mesmo e a sociedade, vivendo sem que se note sua existência individual, permitindo que a sociedade pense e deseje por ele. Vive uma vida sem biografia, com moralidade de catecismo e inteligência limitada, preguiçosa que é em suas concepções intelectuais. Projetados pela sociedade, são essencialmente imitadores, perfeitamente adaptados para a vida em rebanho, refletindo rotinas, preconceitos e dogmatismos úteis para a sociedade.


O homem medíocre é sinônimo de homem domesticado, se alinhando com exatidão às filas do convencionalismo social: faz como todos fazem. Sua principal característica é a deferência pela opinião dos outros, pelo que Ingenieros os chama de “escravos das sombras”: não vivem para si, mas para o fantasma que projetam na opinião de seus similares, para a aparência, preferindo o fantasma a si mesmos.

Porque pensam sempre com a cabeça social e não com a própria, são a escora mais firme de todos os preconceitos políticos, religiosos, morais e sociais.

Os medíocres  são obras dos outros e estão em toda parte: maneira de não ser ninguém  e não estar em nenhum lugar”. (José Ingenieros).

Ingenieros adverte dos perigos:

a)      Associações de medíocres – embora débeis individualmente, medíocres associam-se aos milhares para oprimir os que não comungam com a rotina;

b)     Educação oficial – tenta apagar toda originalidade inculcando os mesmos preconceitos em cérebros diferentes;

c)     Contágio mental  – um estúpido nunca se torna original por contato, mas é comum um homem de pensamento original ver-se apagado entre simplórios, pois é mais contagiosa a mediocridade que o talento;

d)     Velhice – após certa idade a inteligência entra em declínio e a velhice pode tornar medíocre o homem superior, e ao homem medíocre, decrépito.  Mas há homens que por exceção mantém  íntegras suas funções mentais e permanecem jovens, como há os que nunca foram jovens.

Todos os rotineiros são intolerantes;  sua escassa cultura os condena a ser assim”.  (José Ingenieros).

No entanto, Ingenieros, aponta um aspecto positivo sobre o homem medíocre: são eles que realizam os idéias dos grandes homens. Desprovidos de iniciativas pessoais, com encantadora ausência de idéias próprias, aguardam e realizam os impulsos e sugestões de homens melhores. O problema é que as rotinas defendidas hoje pelos homens  medíocres são simples imitações coletivas dos ideais concebidos pelos homens originais, pelo que aqueles estão sempre em descompasso com as novas ideias  e perseguindo os inovadores de seu tempo.

“O grosso do  rebanho social vai ocupando, a passo de tartaruga, as posições atrevidas conquistadas muito antes por seus sentinelas perdidos na distância; e estes já estão muito longe quando a massa acredita estar alcançando a retaguarda”.

Concebido no começo do século passado, já se vão quase cem anos que Ingenieros escreveu sobre homens e mulheres sem ideais, sem questionamentos, pragmáticos, perdidos numa rotina rasa e automática de repetição e aversão aos pensamentos divergentes. Impossível não perguntar: será que o texto ainda guarda alguma atualidade ?

Referências:


[1] INGENIEROS, José. O Homem Medíocre. Curitiba: Chain, s/data.

[2] TOMASINI,  Maristela Beggi. Vida e Pensamento. Disponível na internet: http://www.scribd.com/doc/8008935/Vida-e-Pensamento-de-Ingenieros Consultado aos 16.10.09.